Fernanda Pedrosa de Paula trabalhou as práticas circenses e ampliou o repertório da turma, com o cuidado de garantir a inclusão de todos os alunos. Belo Horizonte-MG
Malabares A primeira técnica estudada foi a manipulação. A turma aprendeu a lidar com diferentes objetos, como o tule, além de lenços e bambolês.
O desejo de romper com práticas tradicionais foi uma das motivações de Fernanda Pedrosa de Paula ao introduzir o circo nas aulas de Educação Física. Ela iniciou o planejamento das turmas de 4° e 5° anos da EM José de Calasanz, em Belo Horizonte, com dois objetivos: ampliar o repertório de práticas da cultura corporal da garotada para além dos esportes coletivos e propor algo que representasse um desafio tanto para ela como para seus alunos, acostumados apenas a jogos de quadra. "Recorri, então, a memórias de infância e tive a ideia de explorar as modalidades circenses", diz a professora.
A proposta está em sintonia com as orientações mais recentes para o ensino da disciplina. A perspectiva atual valoriza práticas corporais ditas não convencionais. Em síntese, o que importa é propiciar o contato com manifestações diversas e ensinar a importância do trabalho em equipe e da convivência com diferentes pessoas - aspectos que foram contemplados no trabalho de Fernanda, a grande vencedora do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10.
Graças a essas características, o projeto é um bom exemplo de que é possível desenvolver um tema como o circo sem necessariamente ser especialista no assunto. "O trabalho pode servir de referência para educadores de todo o Brasil interessados no mesmo conteúdo", afirma Fábio D’ Ângelo, selecionador do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10.
A professora deu início ao planejamento com uma pesquisa. Como não tinha vivência anterior com atividades circenses, Fernanda fez buscas na internet, leu artigos científicos e livros de referência, consultou fontes teóricas e assistiu a práticas registradas em vídeo. Só depois de ter mergulhado nesse universo, veio o momento de selecionar as modalidades que iria apresentar à garotada.
Para fazer a seleção, ela se baseou em uma premissa: não pretendia formar exímios artistas, mas propiciar o contato com práticas corporais da cultura circense. "Atividades simples e que não demandam conhecimentos técnicos dos professores são um bom começo nesse caso", afirma Marco Antônio Bortoleto, professor da Faculdade de Educação Física da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coordenador do Circus - Grupo de Estudos e Pesquisa das Artes Circenses, da mesma instituição.
Outro ponto a ser considerado: para que o projeto tivesse êxito, a realização dele tinha de ser viável no ambiente escolar. Por isso, as atividades deveriam exigir apenas materiais já existentes na escola ou que pudessem ser adaptados. Assim, ela optou por trabalhar com três eixos: manipulações, acrobacias e equilíbrio (leia o quadro abaixo). Depois disso, foi a vez de ajustar as modalidades escolhidas. Fernanda elaborou adaptações com o intuito de criar e explorar novas formas de realizar os movimentos tradicionais de modo a torná-los acessíveis aos alunos.
Modalidades acessíveis
Conheça práticas que podem ser facilmente executadas na escola
Manipulações
Exercício Malabares.
O que usar Balões de ar, bolas de meia ou feitas com jornal e fita crepe, lenços (ou pedaços de tecido) e arcos (bambolês).
Desenvolve Agilidade e coordenação motora.
Acrobacias
Exercícios Corda, estrela, cambalhota, rolamento e parada de mão.
O que usar Corda e colchonetes para amortecer o impacto das quedas e dar segurança.
Desenvolve Força e resistência musculares.
Equilíbrio
Exercícios Tambor e perna de pau.
O que usar Latões e latas de leite em pó com um furo de cada lado, por onde passa uma corda de náilon.
Desenvolve Equilíbrio e coordenação motora.
Consultoria Fernanda Pedrosa de Paula e Cristiane Cassoni
Conheça práticas que podem ser facilmente executadas na escola
Manipulações
Exercício Malabares.
O que usar Balões de ar, bolas de meia ou feitas com jornal e fita crepe, lenços (ou pedaços de tecido) e arcos (bambolês).
Desenvolve Agilidade e coordenação motora.
Acrobacias
Exercícios Corda, estrela, cambalhota, rolamento e parada de mão.
O que usar Corda e colchonetes para amortecer o impacto das quedas e dar segurança.
Desenvolve Força e resistência musculares.
Equilíbrio
Exercícios Tambor e perna de pau.
O que usar Latões e latas de leite em pó com um furo de cada lado, por onde passa uma corda de náilon.
Desenvolve Equilíbrio e coordenação motora.
Consultoria Fernanda Pedrosa de Paula e Cristiane Cassoni
Pesquisa histórica como ponto de partida
Em classe, Fernanda propôs uma conversa inicial para saber o que os estudantes conheciam sobre o circo. Ao identificar que boa parte deles o associava apenas a palhaços e domadores de animais, ela percebeu a importância de apresentar mais práticas circenses, como as acrobacias e as manipulações. Esse primeiro momento serviu para que ela revisse alguns pontos do planejamento e o adaptasse em função das necessidades e dos interesses da garotada.
Uma pesquisa orientada na sala de informática da escola se seguiu a essa primeira etapa. Lá, a turma buscou informações sobre as modalidades circenses e sua história. Em seguida, Fernanda exibiu trechos de espetáculos da companhia canadense Cirque du Soleil (disponível em locadoras e no YouTube) que mostravam as manifestações a serem trabalhadas nas aulas. "Ao propor a pesquisa e a exibição dos vídeos, pretendia ajudar a turma a se aproximar do circo e conhecer sua evolução."
Só então teve início a experimentação das práticas. As aulas seguiam sempre a mesma sequência: numa roda de conversa, a docente expunha seus objetivos e explicava o movimento. Em seguida, a turma executava a modalidade apresentada. Ela circulava e indicava a necessidade de adaptações nos movimentos, e quem não conseguia realizá-los recebia ajuda. Por fim, em uma nova roda de conversa, a turma fazia um balanço do que havia aprendido.
Em classe, Fernanda propôs uma conversa inicial para saber o que os estudantes conheciam sobre o circo. Ao identificar que boa parte deles o associava apenas a palhaços e domadores de animais, ela percebeu a importância de apresentar mais práticas circenses, como as acrobacias e as manipulações. Esse primeiro momento serviu para que ela revisse alguns pontos do planejamento e o adaptasse em função das necessidades e dos interesses da garotada.
Uma pesquisa orientada na sala de informática da escola se seguiu a essa primeira etapa. Lá, a turma buscou informações sobre as modalidades circenses e sua história. Em seguida, Fernanda exibiu trechos de espetáculos da companhia canadense Cirque du Soleil (disponível em locadoras e no YouTube) que mostravam as manifestações a serem trabalhadas nas aulas. "Ao propor a pesquisa e a exibição dos vídeos, pretendia ajudar a turma a se aproximar do circo e conhecer sua evolução."
Só então teve início a experimentação das práticas. As aulas seguiam sempre a mesma sequência: numa roda de conversa, a docente expunha seus objetivos e explicava o movimento. Em seguida, a turma executava a modalidade apresentada. Ela circulava e indicava a necessidade de adaptações nos movimentos, e quem não conseguia realizá-los recebia ajuda. Por fim, em uma nova roda de conversa, a turma fazia um balanço do que havia aprendido.
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